4 mitos sobre criatividade que as empresas devem ignorar

“Conheça os hábitos de Steve Jobs que transformaram a Apple”, “Descubra os segredos da Amazon para crescer”, “Entenda como pensam os gênios do Vale do Silício”. Textos com títulos semelhantes são facilmente encontrados em sites sobre negócios, mas devem ser vistos com desconfiança. Na maioria das vezes, esses textos ajudam a espalhar mitos que não refletem a realidade do mundo corporativo. Identificamos as histórias mais comuns ligadas à criatividade nos negócios e explicamos porque não passam de mitos.

 

1- O gênio solitário e o momento “Eureka”

Um dos mitos mais recorrentes é sobre a inovação produzida por uma única pessoa em um momento de iluminação. Esse conceito pode ser muito atraente, porque deixa implícito que, se você for um dos escolhidos, em algum momento uma ideia genial irá aparecer e seu trabalho estará completo.

Diversos exemplos são capazes de derrubar esse mito, entre eles a história de Alexander Fleming, que, ao voltar de uma viagem em 1928, descobriu que suas culturas de bactérias haviam sido contaminadas por um fungo que estava matando-as. Em vez de jogar as colônias fora, Fleming decidiu estudar o fungo e descobriu a penicilina.

Apesar de ser verdadeira, essa história omite detalhes importantes, como o fato de que o fungo descoberto por Fleming não podia ser armazenado ou produzido em quantidade suficiente para ter o efeito antibiótico desejado. Somente uma década mais tarde descobriu-se como transformar a penicilina em um pó armazenável e como produzi-la em grandes quantidades, por meio do trabalho de uma equipe de cientistas com as mais diversas especialidades.

A penicilina como o antibiótico que conhecemos hoje só passou a existir em 1945, quase 20 anos depois de sua descoberta por Fleming e com a contribuição de centenas de pessoas.

 

2- Inovações precisam ser revolucionárias

Outro mito persistente defende que uma ideia deve ser totalmente inédita para ser considerada inovadora. Mas a inovação nunca acontece em apenas um evento, ela é antes um processo de descobertas, adaptações e transformações.

Thomas Edison inaugurou a primeira estação de energia de uso comercial em 1882, mas o impacto econômico da eletricidade só foi sentido a partir da década de 1920, quando os donos de fábricas perceberam que, em vez de possuir um único grande motor fornecendo energia para toda a produção, era mais eficiente ter um pequeno motor elétrico em cada máquina.

Mas até chegarmos a esse cenário, inúmeros problemas tiveram que ser resolvidos e novas possibilidades imaginadas. O mesmo ocorre hoje, com dezenas de tecnologias que estão há anos sendo desenvolvidas, mas que parecem ter surgido do nada.

 

3- Para inovar, é preciso ser ágil

Quando o iPhone surgiu em 2007, Steve Ballmer, CEO da Microsoft, não deu importância para a criação da Apple, dizendo que não havia chance de o aparelho ganhar uma fatia significativa de market share. A declaração fez com que a Microsoft fosse vista como um dinossauro prestes a entrar em extinção, mas, nos últimos dez anos, a empresa teve um crescimento anual superior a 10%, uma média bastante invejável.

Como uma companhia fechada para a inovação pode crescer tanto? A verdade é que, no mundo dos negócios, é mais importante estar preparado do que ser ágil. A Microsoft não é uma empresa que toma decisões rápidas, mas há décadas realiza investimentos substanciais em sua área de pesquisa e desenvolvimento. Quando você trabalha para capacitar seu negócio com décadas de antecedência, realmente não é necessário decidir algo tão rápido.

 

4- Há apenas um caminho para inovação

Ao analisar pessoas inovadoras, percebemos que elas possuem pouco em comum além de terem desenvolvido ideias bem-sucedidas. Geralmente são pessoas que trabalham de formas bastante diversas, com práticas e culturas organizacionais muito diferentes.

Algumas trabalharam de forma rápida e obsessiva em uma solução, enquanto outras desenvolveram suas ideias ao longo de anos. Algumas disponham de orçamentos generosos para suas pesquisas, enquanto outras gastaram muito pouco. Mas todas tiveram algum impacto com suas criações, seja por meio da invenção de novos produtos, seja pela descoberta da cura de doenças ou o desenvolvimento de novas tecnologias.

O fato é que não há um único caminho para a inovação. Cada pessoa precisa definir sua própria trajetória, baseada em suas estratégias, capacidades e cultura. Desafiar mitos e questionar velhos hábitos são alguns dos caminhos apontados pela metodologia Applied Innovation, que orienta empresas na busca por novas e criativas formas de solucionar problemas em seus negócios, contribuindo para o desenvolvimento de uma cultura de inovação duradoura. Afinal, inovar é resolver problemas, e o número de soluções é tão grande quanto a quantidade de obstáculos que precisamos contornar.

 

Baseado em artigo de Greg Satell, autor do livro “Mapping Innovation”